O ano de 2016 revelou que sou fortaleza

Bom gente, estava ensaiando para escrever este texto há um tempão. A motivação maior  surgiu com o  desafio lançado pelo Blogs do VP, Coletivo do qual faço parte. A ideia é que cada uma das integrantes do grupo responda com fotos autorais e palavras o seguinte questionamento: O que você aprendeu em 2016 que vai levar para 2017? Aqui missão dada é missão cumprida.

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Crédito das fotos: Marcos de Siqueira Lima

De repente  você chega aos 44 anos e percebe que seriam necessárias 4 mãos e 4 pernas para conseguir agarrar os objetivos que traçou para sua vida. Um belo dia você se toca que se vivesse até os 80 anos  metade de sua existência já era.  Aí bate aquele desespero e ao mesmo tempo a vontade de fazer tudo ao mesmo tempo agora. É claro que grande mudanças implicam em decisões acertadas e pensadas anteriormente.  Fui tachada de inconsequente por alguns por  ter largado a estabilidade de um emprego de jornalista com carteira assinada em pleno ano de crise econômica.

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Quem é da área sabe que estamos falando de uma profissão que é quase um sacerdócio para a maioria. Durante mais de 20 anos enfrentei inúmeros plantões nos finais de semana e feriados; as dores e algumas satisfações em redações de tv, jornais, revistas e rádio. A profissão nada tem a ver com o glamour que vocês costumam ver em filmes. Trata-se de uma rotina árdua, e só eu coleciono tantas histórias que tranquilamente ultrapassariam 100 folhas de papel.

Amo o que faço, mas cheguei a um nível de stress que me implorava para ir com calma, afinal os anos passaram e não sou mais aquela jovem idealista do passado. Bom, agora que saí da empresa onde trabalhei por 3 anos, assumi o papel de dona de casa, sigo com o blog, faço deliciosos cupcakes e caminho  para o empreendedorismo. Quero voltar a trabalhar em uma companhia, mas isso não depende apenas dos meus planos. Porque agora,além de ter fé em Deus, precisamos acreditar que nossos políticos darão um fim nesse caos que se instalou no Brasil.  E isso está difícil, viu? Recentemente li uma reportagem que destacava que mais de 600 colegas jornalistas perderam seus empregos. Em todo o Brasil, são 12 milhões de desempregados. Sou privilegiada por ter conseguido concluir uma pós graduação. Isso pode me abrir um leque de possibilidades, como voltar a trabalhar com Comunicação Empresarial ou lecionar em uma faculdade, porém o fato é que faço parte desta maldita estatística.

Mas vamos voltar às minhas decisões. Neste ano resolvi respeitar mais minha natureza e sigo na tentativa de ser mãe biológica ou adotiva.Um sonho que alimento desde minha adolescência e não seria justo abandoná-lo, mesmo diante das dificuldades que já passei e ainda virão. Quero  ter herdeiros não para deixar bens, e sim, compartilhar afeto e repassar os valores que aprendi e que me movem.

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É claro que isso tudo vai implicar em gastos, tratamentos e frustrações, mas meu marido tem sido um companheiro maravilhoso, e sem o apoio dele nada disso seria possível. O que posso dizer a  vocês é que estou pronta para enfrentar. Pela primeira vez na vida pensei na minha essência, como pessoa única, e ninguém pode interferir, é uma escolha pessoal.

 

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Vocês não imaginam o quanto é dramático para  alguém com  o meu perfil responder a questionamentos maldosos ou olhares de reprovação por parte de outras mulheres sobre o fato de não ter conseguido ter filhos. Vejo como uma espécie de condenação da sociedade. Se não for mãe, estará  fadada ao fracasso. É como me sinto.  Tenho certeza que muitas de vocês que são muitas leitoras vão se identificar com este post. O interessante é que ninguém  pergunta se você tem algum problema de saúde, infertilidade ou simplesmente não tem condições financeiras de criar uma criança. Hoje não me abalo mais com isso, porque como tudo na vida, a gente se acostuma. Imagino que ser mãe deva ser a plenitude da felicidade, mas para evitarmos polêmicas, respeito muito as mulheres e amigas que optaram por não ter filhos também.

Ainda sobre respeitar minha natureza,  os anos em que passei enclausurada em redações me fizeram esquecer as delícias de coisas simples, como caminhar na areia da praia, ter o prazer de admirar o momento do pôr do sol, estar mais em família, fazer passeios e várias outras coisas que o trabalho me impossibilitava. Aos poucos vou  me reconhecendo novamente neste universo, digamos, mais zen.

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E  para justificar o título desta  minha crônica, quando digo que 2016 revelou que sou fortaleza é que nem eu mesma imaginava que teria coragem suficiente para enfrentar uma situação de desemprego. Porque, saibam que não é fácil você abrir mão de um salário mensal, plano de saúde, vale alimentação, roupas novas e outras coisas a que estava acostumada antes. Agora vivo outra vida, a que é possível.

Se pudesse resumir o que aprendi de mais precioso este ano e que pretendo levar comigo para 2017 acho que seria esta  polêmica frase, cuja autoria é atribuída a pintora mexicana Frida Kahlo e também a atriz italiana Eleonora Duze. “Onde não puderes amar, não te demores”.

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